- Porquê é sempre desse jeito?
Ela se levantou ainda embriagada, meio dormindo, meio acordada e respondeu de canto de boca:
- Que jeito?
- Esse meu jeito de amar, sem carinhos... você sempre reclamou tanto. - respondeu ela, colocando o copo com três cubos de gelo, vodka e um pedaço de limão SEM SER ESPREMIDO,em cima do criado-mudo, ao lado da cama.
- Não sei, não faça perguntas dos teus problemas pra mim.
O silêncio foi ficando grande demais, até ela se lembrar do drink e começar a mexer com a ponta dos dedos o gelo, que demoradamente ia se tornando parte da vodka gelada.
Na televisão, alguma banda tocava músicas acústicas e a voz do apresentador era irritante naquela tarde com cheiro de ressaca.
Enquanto uma pegava no sono, a outra olhava as unhas vermelhas descascadas e mexia com os pés no ritmo da música que ainda tocava na tevê. Até ouvir a reclamação de “me deixe dormir e pare de mexer com o pé”
E era sempre assim, o que ela pedia, a outra fazia com carinho e atenção. Às vezes ela pensava se tudo que fazia era importante mesmo, e se levar bebida e cigarros pra bêbada em casa as sete da manhã seria retribuído de alguma forma. “Estou sem sexo a duas semanas”, ela lembrou. Esse era um dado importante: sexo era essencial para ela, e nem isso lhe era dado em troca das cervejas e dos cigarros. Fazer tudo esperando algo em troca era o grande problema dela.
E ela sempre achava que seria ela que daria um ponto final naquele relacionamento. Mas o pensamento de “só mais hoje”, “mas essa noite”, “tá tão divertido”, sempre fazia a decisão ser adiada. E já se passavam dois meses.
Foi noutra noite que ficou sabendo que ela havia ficado com a ex namorada. Tudo bem se fosse outra pessoa – “o desejo sempre vêm, e eu também beijaria outra pessoa se estivesse no clima e sem ela”, mas foi a ex. Entende? Já tinham conversado sobre, e tudo tinha ficado claro: com e ex, não podia.
Mas foi. E querem saber? Ela duvidava que se não tivesse descoberto, ficaria sabendo da boca de quem beijou.
E assim acabou. Acabou a diversão. Acabou o romance. Acabou o sexo. Acabou o que mais poderia existir.
Sem perceber, foi- se esvaindo. E o ponto final foi um beijo. Dado na pessoa errada. Ou na pessoa certa. Depende de como se vê.
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