segunda-feira, 27 de julho de 2009

é

Quando fica difícil de respirar. Quando todo ar parece pouco. Quando todo mundo parece igual à semana passada. Quando você anda sem destino algum, e, mesmo assim, se perde no caminho. Quando as pessoas te olham esperando uma resposta e você nem sabe a pergunta; e acha que anda muito louca pra poder perguntar "Qual é a pergunta, mesmo?"
E é só você que está nessa. E só você é responsável pela situação. E só você pode sair dela.
São os "nãos" que você não deu. São as coisas que você deveria ter decidido mais deixou pra decidir no dia seguinte; e esse dia nunca chegou.
São as pessoas que você anda, todas tolas demais com seus próprios umbigos.
São as coisas que você adquiriu. Nenhuma necessária para sua vida, todas tão inúteis quanto você.
São os prazeres sempre maiores que as razões.
São os vícios sempre melhores que a sanidade.
São as coisas sempre intensas demais que você mal pode lembrar depois.
São as situações que você se coloca e nunca sai.
São as culpas, todas de outras pessas, nunca suas.
E você sabe que é hora de mudar.
Mas, mudar o que, mesmo?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O último e só.

Terminou como começou. Aquele ar de que nada vai dar em nada. Rarefeito.
Tua respiração nas minhas costas. Tuas mãos segurando minha cintura.
Teus beijos na minha nuca, e eu fiquei nua. Naquele quarto à luz de vela. Naquela cama com cheiro de você.
Naquele silêncio nosso. Nossos clichês tão bem definidos. Nossos defeitos tão conhecidos.
Eu sei que eu suei. Você então fazia questão de cheirar meu suor. Beijar meus seios, segurar a minha mão. Enquanto fazíamos da última, a melhor.
Devagar, um ouvindo o outro. De olhos fechados. E quando abríamos, víamos um ao outro. Como espelho.
Senti você me abraçando, senti teu suor. Senti você inteiro. Me dei por inteira também. Tudo para te receber. O nosso sexo. O último e o melhor.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O que sobrou de você foi o seu sorriso de bêbado, seu olhar de quem queria. Sua tentativa de me tocar. E eu gritava: "Não encosta em mim".

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Saber que estamos. Entre todas as coisas, estamos. Entre tantas pessoas, estamos. Isso já me faz feliz. Mas ainda não me parece satisfazer, sabe?
Daí ontem você vira pra mim e fala: "Tenho um problema". Eu já sabia o que vinha, eu conheço o teus olhos infinitos, sei quando você faz as coisas sem pensar e depois fica se culpando.
E não esperou muito, não, simplesmente vomitou que tinha ficado com alguém.
Eu não sei. Subiu de novo aquele gosto de sangue na minha boca, gosto de raiva. Saí, fui pro outro ambiente do bar, se não eu sabia que meu lado alemão não ia se aguentar, e era capaz mesmo de tentar te machucar, pra devolver a dor.
Você foi atrás, me deu um beijo suave, falou que gostava de mim, que tava se sentindo mal.
Aí eu não quero. Não sei.
Fico na dúvida.
Essa dúvida que você coloca em mim que nunca ninguém colocou.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Para você que foi, um recado.

Olha, eu não sou garota de ficar dando aí pra qualquer um, mas sexo é uma necessidade FISIOLÓGICA, entende? E pra mim, muito mais FISIOLÓGICA do que para os outros, posso te dar certeza disso.
Por isso, volte logo da sua viagem interminável antes que eu pegue qualquer um aí na rua.

Isso FOI uma ameaça.

Att

Laura

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quando você viaja

Quando você viaja fica um pouco silencioso aqui dentro de mim. Quando você viaja, o sol chega na nossa janela meio diferente, meio desbotado. Quando você viaja o seu gato não vem me dar oi. Quando você viaja as pessoas ficam tão sem graça. Quando você viaja a cerveja fica um pouco mais aguada. Quando você viaja o seu cheiro no travesseiro vai ficando fraco e amargo... Quando você viaja eu me alimento mal, porque não tem ninguém que fique preocupado com isso. Quando você viaja eu me perco na hora, no tempo, nos lugares. Quando você viaja páro de sonhar à noite. Quando você viaja o vento que sopra fica tão frio... Quando você viaja eu fico me perguntando o que tá faltando na minha vida, e quase nunca percebo que é você.